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“Quando descobrir quem sou, serei livre” – Ralph Ellison

 

Se você está chegando agora, leia primeiro esses dois posts para entender o que estamos propondo: este e este. Assim que ler, volte e seja bem vindo!

 

Quando eu estava com mais ou menos 14 anos, minha mãe me colocou na escola dominical (chama-se assim na igreja Luterana). Lembro muito das aulas na época, que variavam entre parábolas, exemplos de dilemas éticos e estudo de passagens bíblicas. Como o assunto me interessava, eu prestava sempre bastante atenção, por isso me lembro bem de uma lição que aprendi. Certo dia, a professora, esposa do pastor, perguntou alguma coisa sobre ajudarmos o próximo. Lembro que respondi algo como: “Quando eu tiver dinheiro, vou ajudar um monte de gente.” Ela então respondeu: “Se quer realmente ajudar, ajude mesmo sem ter nada.”

Nada? Ela estava dizendo que eu, aos 14, sem dinheiro ou maturidade, já poderia estar ajudando os outros por aí?

Por muito tempo pensei naquilo. Eu tinha devaneios de que quando fosse grande abriria creches e orfanatos e faria todo o bem do mundo. Mas isso também deixava minha posição no presente extremamente confortável. Quando tiver dinheiro, faço. Quando puder, ajudo. 

Mas como disse Melanie Klein, quem come do fruto do conhecimento é sempre expulso de um paraíso, né? A partir desse dia, ajudar me pareceu algo bem mais difícil.

Quase na mesma época, por volta dos catorze ou quinze, a vida me daria uma segunda lição que seguia a mesma lógica daquela que aprendi na igreja. Não sei mais o contexto, mas acho que era mais ou menos “para ser feliz preciso de …”

Não lembro se a lição que aprendi a seguir foi falada por alguém ou lida em algum lugar, mas ela dizia mais ou menos assim: “Para ser feliz não precisamos de nada.” (Nada, subentende-se aqui, são condições prévias como casamento, filhos, dinheiro ou sei lá o que). A felicidade independe das circunstâncias (com algumas exceções, claro; é mais fácil ser feliz sem fome do que com fome, sem depressão que com depressão, etc)

Por isso o segundo passo para criatividade – Recuperando a liberdade – me lembrou vagamente essas antigas lições.

Preparados? Então vamos lá.

 

Recuperando a liberdade

No segundo passo, Cameron fala entre outras coisas sobre a falácia do tempo. A sensação de que não precisamos fazer as coisas agora, que podemos fazer isso mais tarde, ou guardar esse projeto para quanto a situação mudar. Quem não pensa assim, pelo menos uma vez ao dia? (“Melhor guardar isso para depois”; “melhor não desperdiçar essa ideia com um projeto tão bobo). Estamos sempre deixando o melhor para depois, porque o momento não parece propício. “Só viajaremos depois que aposentarmos”. “Só vou começar o livro quando tiver tempo, nas férias”. “Só vou investir em aulas de desenho quando a situação em casa melhorar”.

Todos nós operamos assim. Esperando o melhor momento para agir, por que o presente nunca é suficiente.

Mas quem quer, ajuda AGORA. Quem quer, é feliz AGORA. Se você tem um plano em mente para o futuro, implemente-o AGORA.

 

Sem pensar demais, tente completar essas perguntas em um papel:

Se tivesse mais tempo, eu tentaria ………………………………………………….

Se tivesse mais tempo, eu tentaria ………………………………………………….

Se tivesse mais tempo, eu tentaria ………………………………………………….

Se tivesse mais tempo, eu tentaria ………………………………………………….

 

Se tivesse menos tempo, eu tentaria……………………………………………….

Se tivesse menos tempo, eu tentaria……………………………………………….

Se tivesse menos tempo, eu tentaria……………………………………………….

Se tivesse menos tempo, eu tentaria……………………………………………….

 

Faça as mesmas perguntas usando dinheiro ao invés de tempo. O que você está deixando de fazer? O que está fazendo sem realmente querer?

 

Qualquer tempo bem gasto diminui a ansiedade. Qualquer plano colocado em prática é um plano a menos no reservatório dos sonhos não perseguidos.

 

Abrindo um caminho

Ela também traz reflexões sobre o poderoso papel que nossa casa representa para a nossa psique. O ato de arrumar a casa pode trazer bem mais prazer do que o apenas físico e estético às nossas vidas. No livro A Mágica da Arrumação, da Marie Kondo (Ed. Sextante), a autora afirma que jogar fora o que não é necessário desobstrui bem mais que apenas os caminhos e corredores de sua casa. A arrumação areja a vida. Eu mesma segui seu método e atesto: arrumar faz mais que organizar a casa. Portanto, essa semana, desfaça-se do que é velho e não te dá mais prazer. Doe o que puder, descarte o que não servir mais para ninguém. “O fato de nos desfazer do excesso”, Cameron diz, ” abre espaço para viver no presente. Assim, você se liberta do passado e se abre para as possibilidades do amanhã.”

Mantenha o exercício de escrever, combinando-o a uma arrumação completa da casa. Anote no decorrer da semana o que mudou em você. Eu garanto, se continuar escrevendo, investigando o passado e livrando-se do que não tem motivo para manter, algo vai mudar. 

 

“Quando escrevemos de manhã sobre as questões que nos afetam – sensações de perda, confusão, empolgação, deslumbramento, arrependimento – , na verdade estamos colocando uma oração no papel. E de fato existe uma força benigna superior nos escutando, seja qual for o nome que damos para ela. As páginas da manhã nos oferecem um caminho para o dia, um local para estabelecer nossos objetivos e prazos. Nossas conversas são mutuamente terapêuticas.” – Julia Cameron, p. 69

 

 

Responda  amanhã de manhã, quando estiver escrevendo as páginas:

Para mim seria um alívio se eu tivesse tempo para…

Para mim seria um alívio se eu tivesse tempo para…

Para mim seria um alívio se eu tivesse tempo para…

Para mim seria um alívio se eu tivesse tempo para…

 

A essas alturas (se está escrevendo todos os dias suas páginas matinais) algo em você já terá mudado. O que mudou? Já teve alguma epifania? Descobriu algo sobre a sua infância, ou sua relação com o tempo disponível ou não disponível?

Deixe suas ideias ali embaixo!

Até semana que vem,

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