Olá, Caminhantes,

como foram suas andanças nesse tumultuado e tortuoso caminho chamado 2018?

Espero que tenham encontrado muitas bifurcações, e feito as melhores escolhas por onde continuar. Que tenham passado incólumes pelos trechos obscuros, e visto pores do sol maravilhosos.

Retomo, naquela minha tranquilidade costumeira, os posts por aqui. Só de ESTAR aqui já me sinto melhor. Sei que falo com gente de alma sensível (como eu), que enxerga no mundo mais beleza (e mais tristeza) que a maioria, e nada como estar entre semelhantes, não é mesmo?

Nesse post pequeno, quero falar sobre contos de fadas. Sobre esse maravilhoso legado que a humanidade deixou pra trás, e que carregamos adiante, como um fogo de vida.

 

 

Estudo há alguns anos seus benefícios, seus códigos secretos, a superfície translúcida que os cobre de beleza mas mostra, assim que mergulhamos entre suas linhas, a complexidade do que carregam. O texto foi escrito de rompante, mas é no rompante que surgem as verdades (eu acho). Deixo, por isso, ele aqui na íntegra:

“Sempre fico sem saber o que dizer quando uma mãe me conta que floreia contos de fadas para seus filhos. Não pq não tenha algo a dizer – tenho – mas iria demorar, então nem começo. Acontece que a gente anda superprotegendo nossas crianças (tenho filhos e sei como é difícil não superproteger – culpada aqui) mas no conto de fadas, deixem que eles entrem na floresta escura. 


O conto de fadas é um tipo muito especial de história. Eles não saíram de uma cabeça, em um momento de pura iluminação. Não; eles saíram de várias cabeças, de vilarejos inteiros, histórias repetidas e lapidadas ao redor de mesas em cômodos escuros, de agrupamentos de homens e mulheres enquanto faziam suas tarefas, de “causos” contados às crianças ao redor do fogão. Existe neles uma sabedoria gigante acumulada, velada, deitada debaixo dos morros, escondida nos castelos de gigantes, que cresce na gente como um pé de feijão jogado da janela, se espalhando no escuro e levando a tesouros incríveis guardados por gigantes adormecidos.
Contos de fadas são invólucros, e não só histórias – ali dentro a gente lê o que precisa escutar. Tudo nele se refere a nós mesmos – nossa psique, nosso mundo interno, ao que se encontra debaixo do alçapão de onde saem nossos pensamentos -, do cabelo de ouro da princesa ao sono de mil anos, da roda de fiar à agulha que fere o dedo, do espinho que circunda o castelo à bruxa que mora em casa de doces, do lobo mau que devora a criança até a criança, o caminho e a própria floresta. Como em um caleidoscópio de símbolos, essas imagens vão se rearranjando e explicando dúvidas internas, carregando explicações antigas para uma miríade sem fim de problemas, que com a idade vamos entendendo melhor (ou não).
Toda busca ou jornada empreendida nas páginas de um conto – seja para levar doces para a vovozinha pelo caminho mais bonito, o feito com o irmão ou a irmã pela floresta escura, ou a longa espera trancafiada em uma torre jogando o cabelo para bruxas – se refere à nossa caminhada através do tempo, para dentro, para o centro, na busca constante pelo nosso eu melhor.
Não privem seus filhos dessa caminhada. A vida vai encher nossos dias de situações em que tudo estará a espreita – lobos de todo tipo e espécie – e com a sabedoria embutida naquelas histórias, nossas chances de sair da floresta serão maiores.”

Este é o primeiro post de uma série sobre o curso de escrita terapêutica que estará online, completo, em janeiro de 2019. Nele, usamos contos de fadas para mergulhar em nossa psique, e trazer lá de dentro tesouros de valores inestimáveis. Se quiserem saber mais, sigam O Caminho Interior no Facebook.

Grande beijo e até a próxima!

2 Comments

  1. janeiro 2, 2019 at 1:30 pm

    Amo estudar os contos de fadas. Fala muito de perto com nossos medos, sonhos, sombras.
    Sempre me lembro dos livros de Bettelheim, Maria von Franz, o Mulheres que correm com lobos, o Poder do Mito, e também do filme Caminhos da floresta, e do antigo A Lenda e Labirinto. Quais filmes você indica?

    • Karina Heid Rocha-Reply
      janeiro 16, 2019 at 4:45 pm

      Puxa, Erica, acho que você listou todos que podemos achar em portugues. Vi na Amazon americana alguns livros que me chamaram muita atenção (Spinning straw into Gold, The witch must die, entre vários outros) mas não tenho certeza se eles são bons (e encomendá-los em dólar para me surpreender mais tarde eu ainda não quis rsrsr). Se achar algum por aí, volto aqui pra te dizer! Beijos e obrigada por comentar!

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