Olá, Caminhantes,

Essa semana começo uma série de posts em que explico como podemos escrever de forma terapêutica (acredite, nem toda escrita traz resultados), e o que você pode esperar do curso online que já está no ar, aqui)

Pra começar, vamos lá para o começo, que é de onde todas as coisas partem.

O Processo

Gosto de repetir uma frase que ouvi, já não sei mais onde, que processos são a ponte entre o agora e o amanhã. Eles são o modo — a maneira — como realizamos algo, com o objetivo de alcançar o que queremos. Em outras palavras, o como, o onde e o porquê de fazermos alguma coisa.

A importância de começar por ele é clara. Não adianta comprar um caderno, uma caneta e se jogar no papel, acreditando conseguir expulsar suas dores do peito, se você não se prepara antes. Escrever exige preparo, da mesma maneira que começar um tratamento exige disposição, rearranjos de rotina, intenção. Jamais devemos subestimar os bloqueios que podem aparecer quando estamos na frente de uma folha em branco. Quem escreve conhece a sensação: sem preparo, elas se transformam em muralhas intransponíveis. Tarefas grandes demais. “Escrever sobre o quê?” “Escrever de que forma?” e assim vai. 

Preparação é a chave.

O preparo implica conhecer sobre a escrita, o que a terapia oferece, e sobre você mesmo. De que maneira você entra no processo?

Cada um de nós tem o seu próprio jeito de escrever, a gente sabe. Uns preferem escrever em cadernos, outros em folhas avulsas, uns de manhã, outros à noite. Além de termos um modo só nosso, esse jeito de escrever pode mudar de acordo com o que estamos escrevendo. Uma escrita profunda e intima talvez ocorra apenas de noite, em uma agenda ou diário. Uma escrita visceral, catártica? Ela pode acontecer em guardanapos de papel e canhotos de cheques. Para escrever você precisa descobrir de que maneira prefere escrever; de que maneira se sente bem escrevendo. E uma vez descoberta a sua preferência, adaptar-se a ela.

Somos diferentes em situações diferentes da vida, e a escrita curativa – aquela que vai trazer conhecimento e mudança para a sua vida – tem o seu jeito próprio de nascer. A chave é encontrar que jeito é esse.

 

No computador ou à mão?

“As mãos raramente mentem“ – Julia Cameron, Veio de Ouro

Uma outra dúvida que sempre aparece tanto nos cursos presenciais quanto no online diz respeito à praticidade. Posso fazer os exercícios no computador? Posso digitar no celular?

A resposta é não.

Curiosamente, enquanto estava bolando esse post, me deparei com essa frase do Ryder Carrol, criador do método Bullet Journal, que diz assim:

“Na época mais conectada da história, estamos rapidamente perdendo o contato com nós mesmos. Inundados por uma enxurrada infinita de informações, somos superestimulados e assim nos sentimos inquietos; temos excesso de trabalho, o que nos deixa descontentes; estamos sempre sintonizados, o que é fatigante. “(p. 21)

Reforço durante todo o curso a importância do silêncio mental para o tratamento, e silêncio mental implica, entre outras coisas, afastar-se do celular e do computador. A mesma tecnologia que nos permite fazer milhares de coisas já começou a cobrar seu preço – e ele é alto. Tornamo-nos, nos últimos tempos, mais frenéticos, superestimulados, ágeis, elétricos – mas também mais distraídos e sucetíveis/vulneráveis a ataques. Estamos super-informados, super-expostos e super disponíveis, e isso é na mesma medida bom e ruim.

A escrita é o antídoto para o lado ruim. Com ela você voltará ao seu centro, aquele que agora raramente visita. Ela tem uma imensa capacidade de nos colocar frente a frente com as soluções e os conselhos que precisamos, e geralmente o faz na quietude e no silêncio. Ressalto isso durante o curso inteiro porque é importante. Não falo em abandonar o computador, o celular, nada disso. Mas volto a todo momento à importância de dominar essa relação com o mundo sem fronteiras que nossos aparelhos nos apresentaram. A tecnologia é ótima e veio para ficar, mas nossa mente e nossos sentimentos são – e continuarão sendo – vulneráveis aos malefícios que ela causa. 

Na escrita terapêutica, queremos que a mente encontre os caminhos próprios, porque eles inquestionavelmente nos levarão em direção à cura. Por isso, para limpar o caminho e afastar o que pode interferir na escrita, nos afastaremos no digital e nos tornaremos, por um breve período durante o dia, analógicos.

 

As páginas matinais

Também durante o processo, apresento a vocês — caso já não conheçam — as páginas matinais, uma técnica criada na década de 30 por uma professora de escrita chamada Dorothea Brande, e popularizada por Julia Cameron no famosíssimo livro O Caminho do Artista. 

Mas o que seriam as páginas matinais? (Ai meu Deus, você pensa: “matinal significa que deve ser feito pela manhã!?”)

Sim 🙂

As páginas matinais são um tipo muito particular de escrita, que vêm conquistando cada vez mais pessoas interessadas em acessar a parte mais profunda e criativa da mente. Para Cameron,

“elas são  artesanais, íntimas, lápis no papel. Elas serão o treino e a prova no ato (e na arte) de perceber o mundo. Escrevê-las é fazer contato com um inesperado poder interior. ” – Julia Cameron

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Por morarmos na camada mais superficial da mente, ignoramos o vasto universo de imagens e sabedoria que corre em nosso subterrâneo. Escrever as páginas matinais – independente se você decidir por fazer os exercícios em outro horário – é caminhar até esse lugar onde estão enterrados nossos tesouros.

 

O que mais o curso trata no processo?

Nesse módulo ainda falamos sobre a importância dos rituais, da rotina que nos ajuda a criar hábitos, da importância do silêncio, e da respiração.  É esse preparo inicial que permite você a chegar no próximo módulo, o da escrita que não vem, e conseguir saltar verdadeiramente sobre o papel.

 

Se você sente que o curso conversa com você, e acredita que escrever pode te levar à cura, você está no lugar certo. Se ainda tem dúvidas, me escreva no email contato@ocaminhointerior.com.br  ou aguarde os próximos posts!

 

Um grande abraço, e nos vemos semana que vem!

Karina

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