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Olá, devoradores de livros!

A pergunta de hoje é bem simples: você sabe o que é a biblioterapia?

Imagino que pelo nome você tenha ideia do que seja: biblioterapia é, literalmente, terapia através de livros.

Às vezes, cansados de tudo e com a cabeça pesada de problemas, abrimos um livro e um alçapão se abre sob os pés. Caímos em um lugar desconhecido, longe do nosso tempo e realidade, e sem mesmo perceber, nos envolvemos com os problemas dos outros.

Mas não éramos nós com problemas? Em que momento esquecemos o que nos aborrecia e passamos a sofrer com os problemas dos outros?

O fato é que ler causa em nós uma verdadeira revolução invisível: a leitura serve de fuga, alivia o peso de cima dos nossos ombros, tem a capacidade de organizar nossas ideias, amansam a fome do espírito, guiam nossos passos durante noites solitárias e nos ajudam a achar respostas para o caos da vida. Feliz daquele que consegue submergir por um período em um mundo imaginário: este retorna à realidade revitalizado, mais otimista e em paz.

Mas por que ler faz tão bem?

Porque ler provoca catarse

Catarse significa limpeza ou purificação pessoal. É aquele estado de alívio psíquico que atingimos quando colocamos para fora o que nos incomoda. Quem aí não vibrou quando Katniss decidiu a guerra nas linhas finais de Jogos Vorazes? Quem não vibrou quando Harry Potter finalmente venceu seu arqui-inimigo no último livro da série?

Ao nos envolvermos com a vida do personagem, nos identificamos com suas lutas e trilhamos sua jornada. Quando ele(a) atinge a vitória, sentimos como se parte da nossa própria luta estivesse vencida.

Porque ler provoca identificação

Identificar-se com o(a) personagem é natural para a nós. Nós assimilamos um aspecto ou atributo do outro e nessa assimilação, acabamos nos transformando. Se o personagem sofre, sofremos também; se ele pondera porque sofre, fazemos o mesmo. Esse processo de compreensão interna começa a ocorrer em cascata, e quando vemos, encontramos solução para os problemas, nos sentimos encorajados a continuar o processo de autoconhecimento e passamos a encarar uma situação de uma nova forma.

Porque ler ajuda na normalização

Ler sobre a nossa luta em uma história faz com que a gente se sinta parte do mundo. Saber que outros sofrem dos mesmos males que nós traz consolo e um sentimento de pertencimento a um grupo.

Porque ler é como o reflexo de um espelho

A capacidade de enxergar nossas intenções, expectativas e sentimentos no outro (ou nos livros) chama-se projeção. Quando lemos, tendemos a nos identificar com alguns personagens e odiar outros. Por outro lado, se implicamos com um personagem que geralmente não incomoda outros, tiramos desse sentimento uma lição. Quando não gostamos de algo em nossa personalidade, podemos acabar acusando outros dessa mesma característica. Livros podem servir como forma de um espelho da alma; se sentimos raiva de um personagem, o que o sentimento diz sobre nós? Se o amamos demais, que características ele tem que admiramos?

Ler leva à introspecção

Para mim, este é o melhor benefício da leitura: a introspecção que ela permite. A capacidade de observação interna, de refletir sobre nossos sentimentos e questionar o que está dando certo e o que pode ser melhorado. Se isso não é terapêutico, não sei o que terapêutico é 🙂

 

 

Foi pesquisando por aí sobre o tema que me deparei com esse livro lançado recentemente pela Verus editora: O Farmácia Literária (é dele o título desse post!).

Nesse livro simpático, duas bibliotecárias reúnem os males mais diversos – como  sensação de abandono, estar perdido de amor, incapacidade de sair da cama, cuidar de alguém com câncer, ser um ditador, sofrer bullying, estar no hospital, irritabilidade, ou síndrome do ninho vazio – e recomendam, com leveza e propriedade, livros que abordam o assunto e ajudam a aliviar os sintomas do “mal-estar”.

“Qualquer que seja seu mal, nossas prescrições são simples: um romance (ou dois), a ser lido(s) em intervalos regulares. Alguns tratamentos podem levar à cura completa. Outros simplesmente oferecem consolo, mostrando que você não está sozinho. Todos produzem alívio temporário dos sintomas, devido ao poder da literatura de distrair e transportar. […] Como acontece com toda medicação, deve-se sempre seguir o curso total do tratamento a fim de obter os melhores resultados. Além das curas, oferecemos conselhos sobre problemas específicos de leitura, como estar ocupado demais para ler e o que ler quando você não consegue dormir; os melhores livros para ler em cada década da vida; e os melhores acompanhamentos literários para ritos de passagem importantes, como estar no ano sabático — ou no leito de morte.”

Ella Berthoud e Susan Elderkin

E você? Leu algum livro ultimamente que poderia ser considerado terapêutico? Qual? Deixe ali embaixo o que achou!

 

Um abraço,

 

 

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