Levou um fora? 5 dicas para transformar sua perda em pura sabedoria

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O amor ( ou o seu fim) parece acontecer de forma parecida na maioria do mundo. A gente não cansa de estar com o (a) amado (a), pensa nele(a) até de olhos fechados, no modo como sorri, como nos olha, como se move, fala, franze a testa ou vinca no canto da boca. Como alguém pode ter tanto charme? Como posso gostar tanto dele (a)?

Até que um belo dia o relacionamento chega ao fim.

Ele(a) diz que não tá dando mais, que precisa respirar, curtir a vida, sair com outros. Foi romântico enquanto durou, mas depois não foi mais e então acabou.

Dói, eu sei.

Você viveu isso, seus pais viveram isso, seus avós viveram isso. Eu vivi isso. Aos dezesseis anos tive um tipo de decepção dessas, e, amigos, como sofri. Naquele tempo a coisa toda me pareceu catastrófica, impossível de sobreviver assim como em uma hecatombe, ou apocalipse zumbi. Mas sobrevivi, e continuei a viver e me relacionar. Aos dezoito quebrei a cara outra vez, aos vinte e cinco sofri outra decepção, enfim – todas as vezes foram igualmente ruins (nunca mais foram tão catastróficas, mas ainda assim foram bem ruinzinhas).

O que sobra depois desses términos é amargo: o que eu faço com esse caminhão de sentimentos que ainda trago comigo? Onde descarrego essa tonelada de mágoa? Sério, eu olhava pra dentro de mim e pensava: o que faço com isso? Vou atrás do cretino? Tento outra vez? Tento esquecê-lo? Tem gente que persegue o ex, outros insistem em relacionamentos que vem vai, mas eu sou do tipo orgulhoso. Ao entender que tinha acabado, dei ré no meu caminhãozinho e saí à procura de um lugar pra despejar o conteúdo fora (que é, a propósito, uma maneira gentil de dizer chorar as pitangas).

E agora, aí está você. Com o cotovelo dolorido, bunda marcada pelo chute, sem saber o que fazer para aliviar a dor. Meu relato provavelmente trouxe à tona algo que você também viveu. Você sabe que sentimento é esse: sabe que demora a passar, e que vai sentir novamente aquela sensação de que algo bonito foi desperdiçado. Se ainda desse para direcionar todo esse sentimento para outro, seria ótimo, mas não dá. O sentimento vem com o nome do(a) palhaço (a) gravado. É a própria definição de desperdício personalizado.

Dá para fazer alguma coisa produtiva com um fora?

Você pode achar que não há nada a fazer, que basta dar tempo ao tempo e esperar passar, mas não é simples assim, né? Especialmente quando estamos fragilizados.

É nessa hora que escrever pode ajudar.

A verdade é que sofremos de formas diferentes. Uns se jogam nessas horas sobre um diário, outros sentem-se mais tentados a fazer vodu. A paleta humana de emoções é tremendamente colorida, e podemos ir do vermelho-ódio-gritos-e-empurrões ao cinza-tristeza-chororô-sob-a-coberta em um estalar de dedos. Mas em todos os casos precisamos passar por alguns estágios até sair da fossa. Pela fase vermelho-raiva, pelo azul-tristeza, pelo verde-resignação. Escrevendo, você transforma o que mais tarde seria lembrado como um período cinzento e confuso em algo percebido e pensado. Você entende o que te fez passar de uma etapa a outra, como seus sentimentos funcionam, com a gente é programado de fábrica para bater a poeira e continuar tentando (e isso é maravilhoso). Se você conseguir canalizar esse sentimento em palavras, sua partida desse lugar escuro se dará de forma completamente diferente – completamente aproveitável.

Mas como fazer isso? Como transformar a dor em sabedoria?

1. Prestando atenção ao corpo (e ficando no presente)

Não adianta se martirizar pelas mensagens de zap no meio da noite que o irritavam, ou arrepender-se das vezes em que brigaram por bobagens. Tampouco é produtivo pensar que se estivessem juntos completariam cinco meses e oito dias juntos, ou que o filho de vocês teria olhos verdes. Procurar indícios do porquê acabou ou pensar no casamento imaginário que futuramente teriam não vai levar a lugar algum – só a mais dor. Tente manter-se nesse período inteiramente no presente. Atente para a respiração, para as coisas que fizeram você rir nas últimas horas, o que você tirou prazer em fazer.E preste atenção ao corpo. Dói em algum lugar? Onde? Tente escrever sobre essa sensação. Onde a dor vive em seu corpo desde o término? Como estão os músculos, o estômago, a cabeça, o aperto no peito? Examine essas sensações evitando rotulá-las como ‘boas’ ou ‘ruins’. Apenas registe onde elas moram. Sensações não tem, intrinsecamente, um rótulo de certo e errado. Elas existem, e a ciência tem reforçado cada vez mais que atentar para elas – entendê-las e ouvi-las, ao invés de ocultá-las – fazem com que elas percam o sentido de existir. Sensações mudam mais rápido quando olhamos para elas. Quando as escrevemos, então, elas perdem completamente sua força e tendem a desaparecer.

2. Abraçando todas as cores desse arco íris

Muito provavelmente você não vai apenas chorar – e sim chorar, odiar a pessoa, sentir culpa, tentar trazê-la de volta, arrepender-se, xingá-la, desmoralizá-la, dar de ombros e dizer que não se importa, se acabar de chorar (somos uma verdadeira bagunça, eu sei). O problema é que quando sentimos emoções fortes, tendemos não só senti-las, mas também julgá-las. Se odiamos a pessoa que um dia amamos, sentimo-nos culpados. Com a culpa, vem a indignação. Com a indignação, a comiseração – e daí por diante. Além de tudo, ainda paira sobre nós uma eterna sensação de que estamos sofrendo errado (sim, embora não faça sentido, achamos que poderíamos estar sofrendo menos, ou com mais dignidade, enfim). Só que não existe uma maneira “certa” de superar alguém, sofrer ou reagir. A única maneira de lidar com um fim é lidando com o fim, simples e direto assim. É compreensível que detestemos tudo isso, porque temos uma tendência a fechar círculos, e detestamos assuntos inacabados. Na falta de um final conjunto (acordado por ambas as partes) , resta a quem foi dispensado passar sozinho (a) pelas curvas finais do processo às custas de muito lenço, chocolate e desabafos no diário. O legal do diário é que nele você pode escrever todas essas oscilações de humor – toda a raiva, a frustração, o desejo de vingança, as recaídas – sem que ele te chame de doido(a) ou te julgue . É legal, ao final, ver como as páginas molhadas e cheia de raiva dos primeiros dias se tornam tranquilas (e mais secas) no final.

Dica de exercício: Em um caderno ou diário, comece a registrar todas as suas emoções, a começar pelo dia do fora (ou próximo ao fora), seguindo a tabela abaixo. No dia 1, escreva sobre sua tristeza, desespero ou qualquer outro sentimento triste que passar pela mente. Escreva apenas um ou dois parágrafos, ou vinte minutos. No segundo dia (e é importante que você dê esse tempo entre um registro e outro) escreva sobre qualquer insegurança, culpa ou sensação de pouco valor que possa está sentindo. No terceiro, sobre ciúmes; no quarto sobre ódio/raiva, e assim vai. Você pode trocar a ordem dos sentimentos, mas não demais. Siga do azul para o vermelho no decorrer dos dias.

3. Escrevendo uma carta do futuro para si mesmo(a)

Sua fossa vai passar, acredite. Daqui a alguns anos você vai olhar para trás e desejar ter podido entregar conselhos a pessoa que é hoje. Você estará em um lugar mais favorável, terá vivido outras coisas, conhecido gente melhor. O futuro é campo da imaginação, da esperança e da sabedoria. Por que não pular esse salto de anos e fazer isso agora?

O que o seu eu futuro diria para você? O que ele sabe sobre esse relacionamento que você não está conseguindo entender agora? O que o seu eu do futuro – mais sábio e menos passional – pode te enviar de presente?

Dica de exercício: escreva uma carta do futuro. Dê conselhos a você mesmo, use a abuse de palavras otimistas! Guarde a carta para mais tarde, será sempre uma grata surpresa relê-la.

4. Perdoando seu /sua ex

Como assim, perdoar? Fui eu quem levei o pé na bunda! 

Eu sei, eu sei.

Ninguém gosta de perdoar o (a) ex. Parece que estamos sendo idiotas, perdoando quem nos fez mal. Mas sabe aquela frase que diz: “ter raiva de alguém é como beber veneno e esperar que o outro morra?” Então, é isso. Guardar ressentimento é ruim pra você. Acaba com a sua energia mental, te esgota e te prende ao evento doloroso. Em um dos meus términos, passei muitos meses culpando meu ex por ter sido babaca quando eu mais precisava dele. Por um tempão eu o culpei, até o dia em que decidi perdoá-lo. Foi uma escolha que fiz com total consciência: prefiro paz mental a ressentimentos. Prefiro perdoar e livrar a mente e o coração desse pensamento pesado. E foi o que eu fiz. Seu/sua ex jamais precisará saber que você o perdoou – e se me permite ser dura aqui, ele(a) pode achar que não deve desculpas algumas a você. Mas não importa: perdoe-o(a) assim mesmo, mesmo se ele tiver sido tosco, mau caráter ou maldoso. Essa é uma daquelas coisas que fazemos por nós. Não podemos controlar a índole e as reações dos outros, mas podemos controlar nossa cabeça. Não é fácil, mas perfeitamente possível.

Exercício de escrita para o perdão:  1. Faça uma lista no seu diário de tudo que você não consegue perdoar. Escreva tudo, não deixe nada de fora – inclusive o que você fez de errado (sim, perdoar envolve perdoar-se ). 2. Em seguida, escreva ao lado: eu te perdôo. Simples assim. Você vai sentir, à medida que vai escrevendo, uma enorme tristeza. Deixe que venha, perdoe assim mesmo. Chore, se quiser. Permita-se sentir compaixão pelo seu lado da história, por se sentir injustiçada, por não ter conseguido fazer melhor. Mas também deixe que a o ressentimento se evapore. O resultado sobre a sua mente vai ser incrível.

5. Guardando as lições para seu próximo relacionamento

Aí está, é aqui o ponto mais relevante de escrever a dor. Quando escrevemos, está registrado. A gente pode folhear o caderno ou o diário e aprender com o que passou. O carinha /a garota pode ter sido um(a) babaca com você, mas alguma coisa boa ele(a) deve ter trazido para a sua vida  – nem que tenha sido mostrar a você que tudo que você não quer mais em alguém. O que esse relacionamento ensinou? O que ele te mostrou? Qualquer pessoa pode nos trazer benefícios e aprendizado. O que posso tirar dessa experiência? Poderia ter me comunicado melhor? Poderia ter agido de outra forma em determinada situação? Eu deveria ter terminado antes, mas não tinha coragem? Ele /ela era realmente tudo aquilo que fantasiei? Aprender é uma parte importante do processo de cura. Nenhum relacionamento, por mais negativo que possa parecer, pode ser considerado um “fracasso” se você cresceu como resultado da experiência.

 

Espero que escreva a sua dor, e que saia dessa mais forte do que entrou!

(Não deixe de me contar como foi aí embaixo caso aplique os exercícios!)

 

Beijos,

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