Olá Caminhantes,

Não sei se ouviram sobre a ameaça de ataque ao campus da UFES, em Vitória – ES. Frente ao que ouvi, deixo aqui algumas palavras.

Ameaças de morte a tiros onde estudei por tantos anos deveriam chacoalhar meu chão, mas causaram só profunda tristeza. É a passagem ao ato do que paira em metáforas, no ar, há algum tempo: notícias diárias de suicídios. Gente exausta, ansiosa, flertando com o trauma, habitando suas dores por tanto tempo que já nem se lembram mais como é viver bem. O adoecimento mental do mundo é REAL. A fragilidade de nossa mente, REAL. A quantidade de gente sem orientação, REAL. Viramos todos campi ameaçados, frágeis frente a um mundo insensível e hostil.

Mas e aí? Só observar e não fazer nada incomoda. Se minha mente vai bem, sinto-me na obrigação de ajudar aquela que não está.

Recebo diariamente mensagens inbox de escritores e amigos no limite da exaustão, do desânimo, da vontade de desistir de tudo. Como psicóloga, o sofrimento mental do outro é a trilha por onde caminho. Achei por isso que era a hora de estender a mão ao próximo.

Então, decidi que durante um tempo, não sei quanto, exercitarei a escrita da comunhão (nome que acabei de inventar, mas que é o que quero fazer: me conectar). De forma anônima, ética e responsável, escreverei de volta pra quem me escrever uma carta 100% empática e livre de julgamentos, no meu perfil do Facebook (para que outros leiam e reflitam também).

Quer que eu te escreva? Me conta o que te aflige. Não durma com o assunto na cabeça: escreva. Não precisa escrever seu nome (embora seu anonimato esteja 100% garantido), só a sua dor. O que gostaria de botar pra fora? De perguntar? Uma palavra amiga é pouco para lidar com tanto sofrimento mental, mas é um passo.

E de passo a passo – e letra a letra – a gente chega lá.

Karina

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