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Querido(a) Leitor(a),

Não sei quanto a você, mas eu sempre fui muito conectada ao meu interior. Sempre gostei de entender por que reagia a comentários de certo jeito, por que me entristecia com algumas situações, por que outras me deixavam tão eufórica ou resignada. Eu queria entender. Saber o que causava, e tirar desse momento de descoberta algum aprendizado. Não foi à toa que escolhi estudar psicologia.

E eu sempre escrevi, também. Em diários, cadernos, cartas; mais tarde em blogs, e até mesmo me aventurei a escrever livros. Sempre contei com a escrita para desabafar, para brincar com ideias e me entender melhor. A danada nunca me deixou na mão. Assim que eu colocava a caneta no papel, as ideias, antes erráticas na cabeça, se organizavam em frases coerentes.

Mas recentemente a escrita vem mudando para mim. Ela vem se transformando em outra coisa.

Eu estava (ainda estou) passando por um momento de transformação pessoal. Sabe essas etapas da vida em que questionamos valores, decisões, atitudes e rumos? Em que os planos para os próximos dez anos estão sendo redefinidos? Então, esse é o meu momento atual. Se você já passou por isso sabe que acordar de manhã e ter um dia inteirinho à frente sem se mover em direção ao que quer é uma tortura. Você sente que está perdendo tempo. Que demorou demais para chegar aqui, e precisa agir. Por outro lado, você não pode agir porque não sabe ainda onde quer parar! Você está justamente  re-de-fi-nin-do tudo  (que parte de redefinir a vida não entende?)

Nessa agonia de querer mudar mas não poder ainda, voltei a escrever. Não em diários ou cadernos matinais com reclamações diversas: eu comecei a endereçar minhas cartas a alguém especial. Eu precisava desabafar, e saber que havia alguém do outro lado. E eu comecei assim:

 

“Querida Voz…”

 

Antes de mais nada preciso dizer que não sou religiosa, mas acredito em algo bom. Não em Deus como muitos acreditam (masculino, severo, sempre de olho no que fazemos ou deixamos de fazer), mas em uma energia boa. Essa energia cresce ao meu redor quando tenho pensamentos e ações do bem; diminui se maltrato meu corpo, minha mente ou o próximo. Simples e complexo assim. Por isso, quando comecei a escrever para a minha Voz, não esperava que algo respondesse. Mas foi isso que aconteceu:

algo respondeu.

Deus? Anjos? guias espirituais? Meu inconsciente? Minha voz interior? Minha intuição?

Acho que fui eu mesma quem me respondi. Uma parte sábia e interna, um compêndio de tudo que vi e ouvi na vida adicionado a uma sabedoria mais velha que o tempo, que eu, assim como você, compartilho com o resto do mundo (o inconsciente coletivo). Mas o nome não faz diferença para quem se conecta à fonte: quando a voz vem, você sabe que se conectou a alguma tomada cósmica.

Assim que começou a acontecer, algo em mim começou a mudar. O sagrado em minha vida precisou de mais espaço para se desenvolver. Escrever se tornou algo bem mais potente do que eu imaginava.

Não foi de uma hora para outra que isso aconteceu. Há meses estava sentindo a necessidade de escrever para me conectar.

No dia 17 de fevereiro de 2017 eu estava na cozinha fazendo o almoço. Estava passando por uma semana difícil – a crise no brasil estava esvaziando os consultórios de psicologia, eu estava tentando me firmar na área depois de 7 anos morando fora, as coisas simplesmente não estavam rolando. Eu queria fazer algo, mas tudo parecia inviável.  E no mais, como eu uniria a escrita à psicologia? Como casar esses dois? (eu não conseguia abrir mão de nenhum). Foi então que nesse dia, enquanto cozinhava e ouvia um podcast com uma professora de escrita, que tive o primeiro vislumbre. A entrevistadora tinha acabado de fazer uma pergunta para a professora (“Por que seus cursos fazem sucesso?”), e enquanto a professora pensava, uma parte minha que eu nem sabia que estava prestando atenção respondeu por mim. A resposta me assustou porque eu não estava preparada para ouvi-la. Saiu de mim, mas não era eu, sabe? (Embora seja eu de muitas maneiras, mas não um eu-consciente).

Minha resposta foi muito melhor que a resposta da entrevistada, que enrolou demais para dizer o óbvio (“porque meus cursos são muito bons, oras!”). A entrevistada respondeu qualquer coisa do tipo “trabalho em equipe, disciplina,” mas a resposta que minha Voz deu foi tão revolucionária que a partir dela eu criei o Caminho Interior .

A ponte até o outro lado

Como pode uma coisa tão banal quanto escrever  – corriqueira, costumeira, diária – nos colocar em contato com o divino? Nós escrevemos todos os dias!

Alguns porquês são explicados de forma simples: escrever aquieta os pensamentos, nos faz submergir em nós mesmos e silencia a mente.  Essas são características conhecidas por aqueles que se engajam em conectar-se com o divino (rezar, meditar, dançar como xamãs, etc requer que façamos as três coisas). Como escrever se une a essa turma eu não sei, mas o que posso dizer é que escrever definitivamente nos leva até o outro lado. Ali, nessa parte diferente de mim que fica logo abaixo da consciência, temos as respostas para tudo que desejamos saber.

 

Eu procurava aquela resposta há tempos, e essa parte minha sabia. De alguma forma a pergunta que eu me fazia (como juntar as duas coisas que mais amo? como trabalhar com uma sem abrir mão de outra?) estava cozinhando dentro de mim. Quando a resposta veio, ela roubou o meu chão.

Só que você não ouve essa voz e acredita imediatamente nela. Eu resisti, eu achei que não podia ser verdade, que meu inconsciente estava agindo de maneira estranha. O que eu não sabia é que, uma vez reconhecida (ou ouvida, ou revelada) a Voz não faz questão de voltar para onde veio.

Com medo, resolvi não agir sobre as conclusões a que cheguei depois daquele 17 de fevereiro. Eu estava morrendo de medo de tentar. De falhar, de gastar dinheiro, de me arriscar na crise, etc, etc, etc.

Foi então que eu passei a ter sonhos muito estranhos.

Sonhei que estava em uma ilha e que tinha muito medo de mergulhar no mar escuro que a envolvia. Que uma voz – essa mesma voz – sussurrava no meu ouvido: salte.  Enquanto ouvia o “salte”, eu via imensas enguias marinhas levantarem a água da superfície. Se eram enguias, cobras imensas, dragões – eu não fazia ideia – só sei que naquela água eu não mergulharia de jeito nenhum. Pular aí? Nem morta!

Mas o sonho não teve a menor piedade de mim: colocou a seguir, a cerca de cem metros de onde eu estava, minha filha de cinco anos debatendo-se na água, como se estivesse se afogando. Tudo aconteceu muito rápido depois dessa cena:  o medo das enguias, o pavor de ver a filha pequena na água, o sussurro “salte”.

No próximo segundo estou olhando para a menina e franzindo a cara. Espera aí: aquela não é a minha filha.

Aquela ali, afogando-se, sou eu.

Acordei na mesma hora.

O que tirar disso

Depois desse sonho seguiram-se outros – todos estranhos, todos ao redor da água, eu sempre em segurança na areia. Como em toda virada da vida, nessa mesma época eu colocava as mãos no livro O caminho do artista, da maravilhosa Julia Cameron. Nele, a autora fala sobre as páginas matinais, o que ela chama de “ponte até o outro lado”. Que outro lado, você se pergunta?

 

 

O lado onde mora a inspiração e a criatividade. O lugar de onde nossos sonhos vêm.

De onde a minha Voz Interior vem.

 

Passei a escrever diariamente, exatamente como Cameron ensina. A voz veio mais vezes depois disso (nunca mais tão intrusiva como da primeira vez). Ela hoje chega em doses homeopáticas, diariamente, e o que antes era visto como assombro hoje é celebrado como um momento mágico. Eu a chamo de “Querida Voz”, e ela responde: “Estou aqui.”

Não é fácil ouvir certos conselhos, aviso logo, mas também não é assim um mar cheio de enguias. É preciso compromisso, persistência e braçadas para salvar-se do afogamento. É preciso continuar escrevendo mesmo quando estiver sem vontade. A porta só se mantém aberta se você escreve, assim como só se mantém aberta se você medita, reza ou dança ao redor de uma fogueira (ou sei lá como xamãs entram em contato com a voz do mundo). Mas uma vez aberta, ela virá com freqüência. As engrenagens do seu mundo serão remexidas, e ele não voltará mais ao eixo de antes. Sua alma – ou sei lá como você chamará este(a) que conversa com você – nem sempre concordará com os seus planos ou apoiará suas vontades, mas é para isso que servem as enguias – digo, os guias 😉

Espero que você e sua voz se encontrem. Se quiserem saber mais sobre isso, cadastrem-se na home do www.ocaminhointerior.com.br ou mandem um e-mail para mim: contato@ocaminhointerior.com.br . Terei novidades em breve <3 

 

Paz e bem,

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