Olá outra vez, caminhantes!

Hoje minha conversa não será com você (você-mente, você-consciência, você dono da cobertura que rege todo o resto que chama de “eu”). Hoje minha conversa é com o seu corpo. Portanto, leia esse post como se eu falasse com suas mãos, suas pernas, sua barriga, seu pescoço ou suas costas. Deixe que eles recebam essa mensagem.

 

Querido amigo,

Eu sei que você fala mas não é ouvido. Que há muitos anos conta histórias crípticas, em uma língua de difícil tradução. 

Você é um registro vivo das melhores e piores memórias de sua existência: todo carinho, carícia, abraço, rejeição, ferida, injustiças e preconceitos que sofreu estão escritos em você. Embora esteja todo o amor, também ficaram em sua pele todas as ofensas e dores. Tantos outros como você sofreram injustiças, xingamentos, derrotas, fadiga, e tantos continuam a lutar todos os dias para carregar aquilo que nos forçamos a carregar.

Nossas histórias estão arquivadas em nossas pernas, barrigas, pés e mãos, coração e estômago. Elas moram em você – em nós – e tanto nos fazem continuar caminhando quanto atravancam de formas perceptíveis e imperceptíveis nosso caminhar.

Vocês são trabalhadores silenciosos até que um dia não conseguem ser mais. Então rangem, emperram, latejam, avermelham, arroxeiam, encolhem-se, aquecem, esfriam, reclamam do jeito que sabem falar. Mas quando vocês falham, todo o resto falha com vocês.

Sem conhecer sua língua – ou ao menos tentar decifrar suas mensagens – é difícil ajudá-lo. É bem mais fácil anestesiá-lo – essa é a verdade. Se você dói, existem mil remédios para fazer você se calar. Você, quieto, é mais proveitoso. O silenciamento das suas reclamações traz benefícios imediatos e lucros diversos. Sem ranger, você pode continuar a andar. É mais rápido te calar que tentar entender o que você está tentando dizer.

Só que com o tempo você se ressente pelo estado de apatia e desinteresse por suas dores. “Corpo reclamão.” “Corpo que nunca chega a uma forma perfeita”. “Que nunca dá trégua nas reclamações”. Você se pergunta: é isso mesmo? O meu destino é ser silenciado?

Não.

Existe uma pequena via de escape pela expressão. Alguns usam a voz, outros as mãos. Você já sabe qual via eu proponho aqui, não sabe?

Quando o corpo fala, as mãos intermediam a decodificação. Elas podem ajudar a abrir gavetas internas e registrar histórias não contadas. Ajudar você (você-mente, você-consciência, você dono da cobertura que rege todo o resto) a entender a língua de suas tensões. 

Na menina acima do peso, a tensão mora na cintura, nas dobras que a pele faz. No rapaz franzino, está nas pernas e nos braços pouco musculosas. Na mulher de meia idade, no corpo que agora considera pouco atrativo. Mora no corpo que se envergonha de dançar porque ouviu que era desconjuntado, ou na postura curvada porque cresceu rápido demais. Em alguns, está no estômago, que queima sempre que algo vem à tona; em outros, está nas mãos, consideradas feias, ou nos pés que se atrapalham, ou nas coxas, grossas, ou no nariz proeminente que rendeu apelidos durante os anos da escola. 

Escrever as histórias que o corpo conta é uma maneira de dar voz ao que nunca foi falado. O que pode acontecer, se você traduzir essas dores? Se trouxer essa história para a luz para que possa, nos dias de hoje, ressignifica-la?

Essa é uma resposta que só você poderá dar. Mas é uma que definitivamente vale a pena saber.

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Um grande abraço a todos vocês,

Karina

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