Olá Caminhantes!

Venho trabalhando em um caderno de exercícios de escrita terapêutica, e percebi que a maioria dos exercícios pede que a gente reflita. Que a gente pense, e faça uso de nossos recursos cognitivos para alcançar a cura. Pensando a respeito disso, senti que precisava reformular a explicação do que faz uma escrita ser terapêutica. Concluí, nos últimos tempos, que não existe uma escrita terapêutica: existem muitas.

A escrita que fazemos como catarse é terapêutica (apenas não a longo prazo); a escrita que faz uso de metáforas e se entrega à criatividade é terapêutica. A escrita pausada, intercalada com meditações e exercícios de respiração é terapêutica. A escrita reflexiva, em que questionamos nossas ações e pensamentos é terapêutica. E, claro, a escrita que vem do jorro ininterrupto das páginas matinais, do exercício de saltar sem paraquedas sobre o papel é terapêutica. E muito.

Não há apenas um modo de cura, nem um só modo de escrever. A escrita é diferente assim como nós somos. Diferentes, inclusive, do que fomos ontem e seremos amanhã.

No post de hoje quero falar sobre a escrita que vem de onde os sonhos vêm. Aquela que vem do nosso interior, do inconsciente coletivo, daquele “rio caudaloso” carregado de imagens míticas que flui através de todos nós, sendo justamente por isso, por ser um patrimônio da humanidade, possível de ecoar em todos. Você provavelmente sabe que essa escrita é diferente de tudo o que já escreveu. Que, ao contrário dos textos mais difíceis de sair, ela flui como se estivesse sobre uma esteira rolante.

Você já deve ter experimentado a sensação de estar nesse lugar: de ser arrebatado por forças anônimas que nos colocam em total controle de nossas ações. Nesse estado realizamos coisas que nos enchem de uma sensação de êxito, de alcance de resultados. Essa sensação de que “deu certo” – de que você conseguiu – chama-se experiência ótima, e anda muito em voga ultimamente.   

“Ao contrário do que se acredita, momentos como esse – os melhores momentos – não são aqueles passivos, quando estamos relaxados, em que somos pegos de surpresa. Esse momento ocorre quando o corpo foi forçado ao seu limite, em um esforço voluntário de alcançar algo desejado” – Mihaly Czikszentmihaly, Flow

Nesse estado de experiência ótima – de fluxo – a consciência se ordena e as palavras jorram. Nossa atenção está investida em metas realísticas, e nossas habilidades estão de acordo com as oportunidades de ação. Com a nossa atenção dirigida para esse desejo realizável, todo mais é esquecido.

A escrita que vem de onde os sonhos vêm caminha em um território inexplorado da psique, e flui para quem aprende a chegar lá. É uma escrita selvagem, intrépida, crua e emocionante. Ela não vem polida ou retocada pelo pensamento: ela vem com toda a riqueza do que não foi domado.

Escrever o que o inconsciente sussurra é um dos grandes prazeres que experimentei na vida, e gostaria que você conhecesse esse poder também. Reservo um módulo inteiro do curso de escrita terapêutica a esse mergulho interior, e garanto que você se surpreenderá com sua própria escrita uma vez que achar o caminho até lá.

Se quiserem saber mais, falo sobre esse tipo de escrita aqui aqui e aqui

Continuem escrevendo, sempre!

Karina

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