Olá, caminhantes!

Quando comecei a estudar narrativas de vida, lá pelos idos de 2011, fiquei espantada com a importância das histórias para a nossa vida. Não apenas com o fato de que somos “programados de fábrica” para entender o mundo através delas, mas também a forma como criamos histórias até onde elas não existiam. Também me fascinou saber que havia dois grandes “temas” por baixo de toda história que contávamos  – um tema agêntico (que envolvia realizações pessoais, conquistas e aspirações que nos faziam avançar em direção ao mundo) e outro comunal (amizades, amor, e tudo que nos fazia caminhar em direção ao outro), e que, dependendo da fase da vida, contávamos mais histórias de um e do outro.

O mais interessante, no entanto, foi descobrir que as histórias que contamos (para nós mesmos e para os outros) moldam a nossa vida. Damos a elas um tema e um tom (nem sempre positivo, que adquirimos cedo em nossas relações familiares); dividimos nossa existência em capítulos, como em livros; elegemos, dentre milhares de acontecimentos aleatórios que nos acontecem, alguns poucos para repetir continuamente; escolhemos cedo nossos heróis e vilões. Contamos certos fatos como ápice, e outros como quedas. Com isso montamos uma identidade narrativa, com capítulos de avanços, recuos, êxitos e redenções, e assim narramos nossa existência.

O fato é que nossas vidas sempre estão por um fio: o fio condutor de histórias. Isso implica dizer, inclusive, que muitas das coisas que nos ocorrem, ocorrem porque escolhemos contar as histórias que contamos.

Pesquisas indicam que não importa muito se você teve uma infância sofrida, se as condições de pobreza onde vivia eram terríveis ou se teve uma criação privilegiada: a história que você opta contar no presente é a mais importante de todas, porque ela decide o futuro. Se sua auto-narrativa é impeditiva –  ou seja, uma narrativa de que o mundo está em débito com você, ninguém te ama e ninguém te quer, tudo acontece com você e você pode provar –  você incorpora esse papel e passa a agir e se comportar de tal forma. Você passa a sentir de tal forma. Você projeta e atrai mensagens alinhadas a essas narrativas. Por outro lado, se você opta por contar uma história redentora – em que você vence as dificuldades no final – você demonstra mais resiliência e atitudes positivas frente a vida, e as aplica por onde passa.

Como você anda narrando a sua vida?

Espero de coração que esteja satisfeito com as histórias que escolheu contar de si. Que tenha escolhido entre as bilhões de narrativas possíveis aquelas que elevam suas qualidades e reforçam traços de identidade valiosos e positivos. Se a sua narrativa vem lhe servindo – se ela faz você feliz –, você sente a recompensa dessa escolha todos os dias. Você colhe os frutos dessa narrativa plantada nos comentários, associações, eventos, pessoas que atrai; você forma sua identidade – para si e para o mundo – baseado nelas.

No entanto, se sua narrativa te incomoda – se ela é pesada, confusa, pessimista e isso incomoda você – ela precisa de reparos. A boa notícia? É possível reescrever o passado. Podemos escavar lá atrás, na sua história, eventos otimistas, redentores e positivos para costurá-los ao todo de hoje. Podemos desenrolar nossas histórias e realinha-las; podemos costurá-las de outra forma, e também reescrevê-las. Nada do que viveu pode ser mudado, mas o modo como você conta a história da sua vida no presente, sim. 

É isso que o curso de escrita terapêutica oferece no módulo 5: uma compreensão de como narramos (bem ou mal) nossa vida, e como reescrever o que não nos serve mais.

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Grande abraço,

karina

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