Olá caminhantes!

O papo de hoje é sobre como a escrita pode curar a dor. Para isso vou contar rapidinho uma história.

Quando o casamento de James começou a mostrar sinais de desgaste, ele entrou em depressão. Perdeu a vontade de viver e socializar, chegou a pensar em abrir mão do casamento e desistir. Após um mês sofrendo, ele decidiu fazer uma coisa. Tirou do armário sua máquina de escrever e começou a despejar todas as tardes seus sentimentos no papel. Sobre o que escrevia? Sobre o casamento fracassado, sua tristeza,  assuntos aleatórios, sobre a morte.

As palavras naquelas páginas mudariam sua vida. Ele se recuperou, voltou ao trabalho como professor de psicologia em uma universidade americana e retomou o casamento. Mas no fundo da cabeça ele se perguntava: “o que causou minha melhora?” Ele não tomou remédio, nem viu um médico. Ele só escreveu!

No entanto, o sentido e o propósito retornaram à vida, e ele decidiu estudar o porquê. Isso aconteceu lá atrás, na década de 80, quando assuntos como “journaling” e “escrita terapêutica” praticamente inexistiam ou eram tratados em grupos isolados.

O que James descobriu em suas pesquisas mudou nossa visão da escrita. Trinta anos e trezentas pesquisas depois, podemos afirmar que escrever de forma consistente faz as pessoas se sentirem mais felizes e saudáveis. Até mesmo sintomas de doenças não psiquiátricas são aliviadas através da escrita.

Em outras palavras, James Pennebaker comprovou que desabafar – essa palavrinha tão antiga, que conhecemos desde sempre – causa uma revolução positiva em nosso organismo. 

A pesquisa de James W. Pennebaker

Dez anos de pesquisas científicas depois, Pennebaker e sua equipe concluíram que há, de fato, uma forte conexão entre abrir-se a respeito de eventos traumáticos (sentidos como profundamente estressantes e emocionalmente difíceis) e mudanças positivas na mente e na nossa função imunológica. No entanto, não era qualquer escrita que trazia alívio; era um tipo de escrita específica.

Se é para escrever, que seja com o coração. Discorrer sobre tópicos triviais, ou apenas descrever os sentimentos sobre um trauma não funcionavam (e ainda não funcionam). Para melhorar precisamos escrever detalhadamente, ligando os sentimentos relacionados ao trauma aos eventos ocorridos. Quanto mais detalhada, organizada, atenta, vívida e lúcida a escrita for, mais saúde e benefícios emocionais ela trará. A chave está em unir sentimentos e pensamento.

É isso que a escrita pode fazer por você. É isso que o Caminho Interior oferece.

Bora escrever?

(Para aqueles que não sabem como ou o que escrever, comecei semana passada uma série de prompts terapêuticos no meu Instagram @ocaminhointerior. Segue lá! Todos os dias, às 7 da manhã (durante aprox. um ano), chegará um prompt cedinho na sua tela. Tudo que você precisa fazer é reservar dez minutinhos para você. Assim como James fez, anos atrás 🙂

Karina

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