Olá caminhantes, como vão?

Foi um ano intenso, esse, não foi? Assistimos entristecidos o país se tornar uma praça de guerra, e brigar por coisas que deveriam (para o nosso próprio bem) nos unir. Vimos mortes demais – mais do que deveríamos – e assistimos em choque à escalada de violência. Olhar para fora, para o além-muro de nossas fronteiras (que sempre achamos ser um local de exemplo) também não trouxe muita esperança: este é um planeta em guerra. Quanto mais perto ou distante enxergamos, mais percebemos que o mundo é um lugar faminto e sofrido. Não sei se vocês são tão sensíveis a isso quanto eu; minha aposta é que sim, afinal vocês são escritores (de gaveta, de diários, de poesia e pensamentos) e escrevem para entender o mundo, e tirar dele sentido.

Não foi um ano fácil, eu sei.

São tempos difíceis para sonhadores, diria Amélie Poulin.

Não sei se já assistiram a esse filme – uma gracinha, recomendo – mas se viram, sabem que o pano de fundo da pequena jornada de Amélie é a vida interna da personagem. Ela é uma sonhadora, sob todos os aspectos ou qualquer ângulo. Ela é a minha imagem de resistência nesse ano de 2018, e a emblemática figura para o que desejo em 2019.

Deus me livre deixar de sonhar. Deus me livre achar que “isso” (dê ao isso o nome que quiser) é tudo, que viver é acostumar-se com guerras. Com a fome. Com as injustiças.  A gente escreve justamente porque viver não basta: só a arte (de escrever, ou qualquer outra arte) dá conta desse presente – desse monstro, dessa montanha que precisa caber em nós, dessa mágica chamado vida.

E o “dar conta”, no sentido abstrato, significa criar sentido.

Mas de onde vem o sentido? O sentido que você dá às adversidades, aos percalços (e belezas) do caminho? De onde vem a síntese de tudo que a gente vê e toca, sente, cheira e abraça, e coloca pra dentro?  Onde é processada essa vastidão de sentimentos e pensamentos que chegam até nós; em que caldo mágico isso tudo se transforma?

Essas são perguntas importantes, porque é dentro da gente que o sentido ganha corpo, nome e endereço. É o que sair de você, da síntese que você construiu, que dará cor e textura às experiências que te aguardam em 2019. É esse sentido que moldará seus pensamentos e direcionará seus caminhos futuros.

Para mim, essa alquimia acontece todas as vezes que eu coloco uma caneta no papel. Essa é a minha fórmula mágica para “transformar” as experiências (em outras palavras, “dar sentido” a elas), e é isso que decide se acho que vale a pena continuar ou não, se o que me acertou em 2018 me derrubou ou me fortaleceu, se minhas experiências foram dádivas ou fardos. É no ato de escrever que organizo meu mundo, e tiro minhas resoluções.

Foi de muita escrita que surgiram minhas maiores realizações pessoais e profissionais, e uma delas eu mal vejo a hora de mostrar para vocês (em breve teremos curso de escrita terapêutica online, dá uma olhada aqui!). Tenho certeza que as realizações que esperam vocês envolverão a escrita também – além de sonhos.

Por isso, em 2019, escreva. Sobre qualquer coisa. Sobre o que você quer realizar, sobre o que quer conseguir, sobre o que quer evitar. Escreva sobre seus sonhos, tanto os que quer da vida quanto os que te visitam à noite (eles geralmente conversam um com o outro).

Acredite que 2019 será o seu ano. O ano do papel e da caneta. O da palavra viva, onde você é aquele que carrega adiante sua chama.

Um grande beijo, um ótimo 2019 e muitas palavras para todos nós!

 

 

 

One Comment

  1. janeiro 2, 2019 at 1:21 pm

    delícia de novidade!

Deixe um comentário